15/02/2024 às 21h05min - Atualizada em 19/02/2024 às 00h00min

Rec-Beat surpreende em mais uma edição histórica

Em sua primeira edição como Patrimônio Cultural Imaterial do Recife, o festival atraiu mais de 60 mil pessoas no Cais da Alfândega, Bairro do Recife, e promoveu um caldeirão de sons, ritmos e gêneros durante os quatros dias de carnaval

Patricia Dornelas
@recbeatfestival
Luana Thayse


A 28ª edição do Festival Rec-Beat transcendeu fronteiras geográficas, promoveu intercâmbios entre cenas musicais e celebrou a música em suas mais diversas manifestações, expressões e tradições. Durante os quatro dias de duração, o evento contou com 24 shows gratuitos de atrações nacionais, locais e internacionais, proporcionou 22 horas de experiências imersivas e atraiu um público de mais de 60 mil pessoas.

Nesta primeira edição reconhecido oficialmente como Patrimônio Cultural Imaterial do Recife, o festival promoveu encontros entre produções nacionais e experimentações de artistas vindos da África, Europa e América do Sul, destacou novos talentos pernambucanos e a efervescência da cena eletrônica, além de apresentar turnês inéditas de artistas que refletem a pluralidade da música contemporânea brasileira.

“Esta foi a  primeira edição ostentando o título de Patrimônio Cultural Imaterial do Recife, que muito nos orgulha, mas que também aumenta a nossa responsabilidade em manter o festival entre os mais importantes do país, e estou certo que conseguimos. O Rec-Beat manteve intacto o perfil curatorial do festival consolidado ao longo dos anos, que é o de aproximar tradição e novas tendências de uma forma não óbvia, surpreendendo o público com atrações desconhecidas, mas potentes”, comemora Antonio Gutierrez, o Gutie, fundador, diretor e curador do festival.

DIVERSIDADE MUSICAL

O Rec-Beat deu início a sua 28º edição com uma programação que reuniu as expressões musicais de artistas de Pernambuco, Bahia, São Paulo e Colômbia. O palco do evento se tornou um mosaico plural de ritmos e gêneros, que abrangeu desde a música eletrônica, brega, salsa, cumbia, MPB, rap, até o funk bruxaria. 

Um dos destaques da noite foi a performance visceral de VANDAL (BA), que prestou homenagens a Chico Science, e trouxe uma fusão pioneira entre o pagodão baiano e as vertentes do grime e do drill. Antes do rapper, o evento construiu pontes entre gerações da música pernambucana com os shows de Ivyson (PE), talento promissor da cena local, e Walter de Afogados (PE), figura histórica que embalou a plateia com seus sucessos atemporais.

Na música eletrônica, os sets de drum & bass do DJ BJ3 (PE) se entrelaçaram com a cumbia e salsa da DJ Loa Malbec (Colômbia). Para fechar a noite, DJ K O Bruxo (SP) fez sua estreia em um festival brasileiro no palco do Rec-Beat e propagou as texturas saturadas e os sons agudos do seu funk bruxaria por toda a pista.

Durante a abertura, a vereadora Cida Pedrosa, autora do projeto de lei que concedeu o título de Patrimônio Cultural Imaterial do Recife ao festival, esteve no evento para entregar a honraria nas mãos de Gutie. 

EXPOENTES DA MÚSICA NEGRA

Na segunda noite do festival, o destaque foi para artistas negros que exploram e enriquecem uma variedade de gêneros musicais, desde o hip hop, maracatu, música eletrônica, kuduro até o rock de favela.

Os shows mais aguardados foram dos rappers Rico Dalasam (SP) e Ebony (RJ), que trouxeram as turnês dos seus novos trabalhos pela primeira vez ao Recife. A carioca apresentou o álbum Terapia, projeto que conta com músicas que exploram a sexualidade sob uma perspectiva feminina e foram cantadas fervorosamente pelo público. Já o paulista apresentou o seu novo disco Escuro Brilhante - Último Dia no Orfanato da Tia Guga, e guiou a plateia em uma jornada de memórias e momentos intimistas.

Desde os sets de house music e brega funk do DJ KAI (PE) até o kuduro e coupé decalé africano da DJ Asna (Costa do Marfim), a música eletrônica se fez presente na programação. Ela também é um dos ritmos que compõem o repertório da Mateus Fazeno Rock (CE), que subiu no palco para apresentar o rock de favela, estilo autoral que revitalizou o gênero ao injetar sonoridades do funk, rap e R&B. Antes dos cearenses, Nailson Vieira (PE), figura proeminente da nova geração da cultura popular, abriu os shows com o maracatu rural de Nazaré da Mata, e expandiu suas raízes tradicionais ao incorporar ritmos como cúmbia, coco de roda e brega.

TURNÊS INÉDITAS E EXPERIMENTAÇÕES ELETRÔNICAS

A terceira noite do Rec-Beat agitou o público com shows de novos trabalhos de destaques da música brasileira e performances que buscaram reinventar heranças culturais através da conexão com outros estilos musicais. 

A multiartista Letrux (RJ) foi um dos destaques do line-up e entregou uma performance arrebatadora para apresentar a turnê do seu álbum Letrux como Mulher Girafa. Antes dela, Ana Frango Elétrico (RJ) fez o seu aguardado retorno ao palco do festival para apresentar o álbum Me Chama de Gato que Eu Sou Sua, projeto com canções que misturam disco, soul e rock e que foram cantadas em coro pelo público presente.

A noite ainda contou com o pop surubinense de Yannara (PE), os sets da DJ Dandarona (PE), e performances alucinantes da franco-ganense PÖ (Gana), que incendiou a pista com uma mistura eletrizante de kuduro, footwork e funk brasileiro, além de Niño de Elche (Espanha), que se apresentou em formato de duo eletrônico e criou ondas eletrônicas dissonantes que ecoaram por todo o Cais da Alfândega.

Outro destaque foi a presença da atriz, jornalista e influencer Ademara no palco do Rec-Beat. A humorista pernambucana, frequentadora assídua do festival, foi a responsável por apresentar os shows e animar o público nos intervalos.

ENCERRAMENTO 

A última noite do festival foi marcada por sons da Colômbia, Bélgica e Alemanha, além de uma apresentação deslumbrante do Afoxé Filhos de Dandalunda (PE) e o grande encerramento da edição com show da cantora Urias (MG).

Ao longo da noite, o palco recebeu o jazz psicodélico da Echoes of Zoo (Bélgica), com participação especial do percussionista Guilherme Kastrup (RJ), a fusão cumbia-house do trio Ácido Pantera (Colômbia) e os sets de jungle e funk da DJ Sarah Farina (Alemanha)

Fechando o festival, Urias subiu ao palco acompanhada por oito dançarinas para apresentar a turnê do seu novo álbum, Her Mind. Com composições que passeiam entre o pop, o reggaeton e o deconstructed club, a mineira lotou o Cais da Alfândega em um encerramento apoteótico que conseguiu simbolizar a magnitude desta 28º edição do Festival Rec-Beat. 

Nesta edição, o Festival Rec-Beat teve patrocínio da Fundação de Cultura da Cidade do Recife, Secretaria de Cultura e Prefeitura do Recife. Apoio da Fundarpe, Secretaria de Cultura e Governo de Pernambuco, UNINASSAU, Delikata, Embaixada da Espanha no Brasil, Consulado Geral da Alemanha no Recife e Consulado Geral da França em Recife. Festival filiado à Abrafin e Adimi. Realização da Rec-Beat Produções e Leão Produções.   


 
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