19/02/2024 às 17h45min - Atualizada em 21/02/2024 às 00h00min

CEO revela tecnologia mais importante para avançar nos negócios: a checklist

João Baptista, CEO da frotacontrol, revela como uma ferramenta tão simples define a qualidade do trabalho

Daniel Corrêa
Divulgação


Em 1935, na base aérea de Wright, em Dayton, Ohio, a Força Aérea dos EUA promoveu uma competição entre fabricantes de aviões que disputavam a próxima geração de bombardeiros de longo alcance. Boeing, Martin e Douglas disputavam essa competição a pedido do exército.

O modelo 299 da Boeing, porém, era de longe o mais promissor para vencer. Transportava cinco vezes mais bombas do que a especificação do exército, era mais veloz que os bombardeiros anteriores e tinha o dobro da autonomia de voo. Era uma fortaleza voadora.

Em 30 de outubro, dia da apresentação da “fortaleza voadora” da Boeing, o avião acelerou ruidosamente na pista, ergueu-se com elegância e subiu 100 metros do solo. Mas, de repente, os motores pararam, uma das asas se inclinou para baixo e a aeronave mergulhou em direção ao solo, explodindo em chamas. Dois dos cinco tripulantes morreram, um deles era o piloto de teste, o experiente major Ployer P. Hill.

As investigações do acidente revelaram que não ocorreu nenhuma falha mecânica na aeronave. O desastre ocorreu por falha do próprio piloto, que esqueceu de soltar os controles do leme e do profundor - assim dizia o relatório dos peritos. O modelo 299 da Boeing era muito mais complexo que os modelos anteriores. Ele exigia muito mais do piloto, pois tinha quatro motores além de hélices, flaps, profundor, leme e tantos outros itens para serem manejados no momento da decolagem. Foi considerado por especialistas em aviação um avião muito complexo para ser pilotado por um único homem.

Por causa disso, um avião menor da empresa Douglas foi considerado o vencedor da competição pelo exército dos EUA. A Boeing quase foi à falência por causa desse acidente. No entanto, o exército americano comprou algumas aeronaves do modelo 299 da Boeing para fazer testes, já que alguns especialistas estavam convencidos de que aquela “fortaleza voadora” era sim capaz de voar.

Persistência! E inteligência.

Isso porque os especialistas do exército não exigiram que o piloto passasse mais tempo em treinamento, mas sim que usasse uma abordagem diferente para lidar com a complexidade da aeronave. Criaram um checklist para orientar os procedimentos dos pilotos. Jamais se imaginaria que a simples implantação desses procedimentos pudesse fazer tanta diferença na vida dos pilotos e na aviação em geral.

Com o checklist em mãos, os pilotos de teste comandaram o modelo 299 da Boeing por cerca de 3 milhões de quilômetros e sem um acidente sequer. Uma vez domado esse monstro dos ares, o exército americano acabou encomendando cerca de 13 mil aeronaves modelo 299, que foi batizada de B-17. Com elas, os americanos conquistaram uma vantagem decisiva na Segunda Guerra Mundial.

Usar checklists para decolagens, pousos e outras situações em voos jamais teria ocorrido a um piloto, da mesma maneira que nunca teria passado pela cabeça de um motorista recorrer à ferramenta para dar marcha a ré ou para estacionar em uma vaga. Porém, pilotar aquele novo avião era complicado demais para que tudo ficasse por conta da memória de uma pessoa, por mais competente que fosse. Assim também ocorre com a gestão de frotas.

Os pilotos de teste do exército elaboraram listas simples, breves e objetivas, curtas o bastante para caber numa folha de papel, com as verificações passo a passo das mais diversas situações de voo. Continham as recomendações indispensáveis que todos os pilotos sabiam executar. Itens óbvios mas que, uma vez listados, davam ao piloto grande ajuda ao trabalho e precisão na execução.

Muitas das nossas atividades atuais já entraram em fases semelhantes às do B-17. Uma parcela considerável do que fazem programadores de software, gestores financeiros, bombeiros, policiais, advogados, médicos e tantos outros profissionais contém uma certa complexidade que não pode ser executada de maneira confiável apenas com base na memória. Várias áreas da vida profissional tornaram-se “muito avião” para serem pilotadas por uma pessoa só.

Chega a ser quase óbvio que algo tão simples quanto um checklist seja capaz de oferecer tamanha ajuda aos desafios humanos. O volume e a complexidade estonteantes do saber humano excederam a capacidade dos especialistas de gerenciar tanta informação. E é exatamente por isso que acontecem acidentes trágicos.

Isso explica, pelo menos em parte, por que pessoas inteligentíssimas ainda esquecem as chaves ou porque médicos com muita expertise ainda se esquecem de remover um instrumento cirúrgico de dentro do paciente. Os limites da memória operacional geram erros evitáveis.

“A complexidade extrema só aumenta a carga cognitiva e nos deixa muito mais propensos a errar. Portanto, não precisamos de mais conhecimento, mas de novas habilidades e estratégias que nos permitam aplicar esse conhecimento sem sobrecarregar a nossa memória operacional.

Precisamos de uma ferramenta simples, porém poderosa, o checklist.  Essa ferramenta ajudou os pilotos a lembrar cada passo essencial e usar o mínimo possível de recursos mentais. Ela nos ajuda a lembrar o que é importante. Em vez de acertarmos essas coisas essenciais de vez em quando, acertamos todas as vezes”, disse o Dr. Atul Gawande, cirurgião e escritor de sucesso, em seu livro “Checklist”.

O checklist é uma das ferramentas mais eficazes que temos à disposição para automatizar quase tudo que realmente importa. Sabemos disso no frotacontrol e temos uma ferramenta específica para isso dentro da plataforma. Faça o teste!

João Baptista é diretor executivo experiente com um histórico comprovado de trabalho no setor de tecnologia da informação e serviços, como automóveis, seguros, bancos e finanças. Hábil em Negociação, Planejamento de Negócios, Planejamento Estratégico, Estratégia de Marketing, TI e Gestão de Vendas. Forte profissional de desenvolvimento de negócios formado pela FASP e ESADE. Atualmente é CEO do frotacontrol.

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