27/02/2024 às 16h56min - Atualizada em 28/02/2024 às 00h03min

A arte de dar aula: estudo, organização e planejamento 

*Cristiane Dall' Agnol da Silva Benvenutti  

Valquiria Cristina da Silva Marchiori
Rodrigo Leal


O ano letivo começou nas escolas brasileiras, assim como as aulas e orientações de Estágio Supervisionado aos estudantes do curso de Licenciatura em Geografia e já observamos questionamentos como: “professora, como eu devo apresentar o conteúdo ao longo das aulas?” (...) então, eu só devo falar e os alunos ouvirem? Como organizo nesse tempo a participação dos alunos? Parece tudo complexo.  

Para tornar a aula mais prazerosa, convido você inserir à aula o diálogo que Paulo Freire muito bem nos apresenta e o pontua como grande aliado no encontro entre reflexão e ação. Os que dialogam ao longo de uma aula orientam-se sobre e para o mundo de tal forma que os conduz a humanizar-se e a transformar-se para além daquela situação que vivenciam. Mas, será que é só isso? Ledo engano. 

Um dos primeiros princípios que norteiam a prática da aula dialogada é o respeito pelo contexto cultural dos estudantes, pois a realidade, as experiências e as vivências de cada um, dentro ou fora dos grupos sociais, são o ponto de partida. Cabe a nós professores compreendermos que o eu e o outro se entrelaçam, constroem relações que se estabelecem num tempo, espaço de forma dialética em prol do processo de aprendizagem desse e de todos os estudantes.  

Num movimento dialético da aula dialogada, é possível organizá-la a partir de estratégias que são:  primeira estratégia é organizar o conteúdo da aula com atividades que envolvam diálogo. Para essa estratégia tem-se a pergunta recheada de problematização como mola propulsora da aula. Isso mesmo! A pergunta é uma forma de tirar o estudante do que chamamos de zona de conforto. Se você quer conhecer e saber sobre o seu estudante e o que ele já sabe sobre um determinado conteúdo/tema, pergunte. Mas pergunte de forma que o leve a reelaborar o conhecimento pré-estabelecido, fazendo com que a pergunta o faça ver uma determinada situação a partir de um outro lado, o lado que ele ainda não vê. A pergunta mobiliza não só o estudante, mas, sim, todo o grupo e os retira de uma atitude contemplativa sobre um ponto de vista. Além disso, conduz para responsabilidade, compromisso social e autonomia.  

Segunda estratégia: conduza os estudantes à Reflexão, num tempo de 15 minutos aproximadamente.  Faça-os refletir, não de forma vazia e solta, instigue-os a relatar por meio da oralidade e outras formas de registros. Eles podem registrar de forma individual, em dupla ou em grupo, o que sabem sobre o que foi apresentado. Considere isso importante, não julgue.  

Terceira estratégia, a de fechamento: síntese. O que de significativo ficou com o desenvolvimento das atividades sobre o conteúdo/tema abordado? Faça com que usem a criatividade para expressar todos os processos das aulas dialogadas sobre um conteúdo. Nesse momento, os estudantes podem fazer uso de recursos tecnológicos, assim como na estratégia de Reflexão. Mas, atenção! O professor e os estudantes devem ter a clareza de que não é preciso esgotar todo o conteúdo em duas ou três aulas, afinal, os conteúdos vão e vêm ao longo do ano letivo.  

Para nortear e dar um ponta pé na aula dialogada, convido você, professor, a ler novamente e adotar o Círculo de Cultura, postulado por Paulo Freire, que possibilita a participação de todos e transforma o contexto de um conteúdo em campo de significados, com proximidades da realidade de cada um. O diálogo é o fio condutor de todo processo do Círculo de Cultura. Sendo assim, numa aula dialogada, o estudante além de apreende sobre o desconhecido, modifica a sua visão sobre suas vivências, dialoga e interage com todos, participando de forma criativa, crítica e consciente de seu papel no espaço da escola e para além dele. 

Ao professor cabe a tarefa de elaborar as aulas dialogadas com mais problematizações, perguntas, compartilhamentos sobre a realidade que os estudantes irão levar para a aula, além de possibilitar situações para o entendimento e a dialogicidade sobre si, o outro, da coletividade e da comunidade. Aprender para libertar-se e humanizar-se. Fica o convite! 

*Cristiane Dall' Agnol da Silva Benvenutti é Doutora em Educação, Cognição, Aprendizagem e Desenvolvimento Humano pela UFPR e professora da Área de Geociências da Escola de Educação, Humanidades e Línguas do Centro Universitário Internacional Uninter 

 

 

 

 

 

 

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